quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Três anos, seis dias e algumas horas.

A capacidade de mutação é algo próprio do ser humano, mas não há nada de extraordinário nisso. O que pode impressionar é a eventual inabilidade de perceber tais mudanças. E comigo não houve de ser diferente. Não me atentar a cada pensamento ou atitude diferentes, fez com que me deparasse com uma pessoa totalmente diferente daquele cara que encarei na semana, no mês, ano ou anos passados cada vez que me olhei no espelho. O melhor de toda essa história é perceber e não se espantar com o olhar do professor que já não reconhece o aluno, que outrora lhe fora tão inconveniente, enquanto este o diz um “você mudou, cara” carregado de um sentimento tão forte de admiração por sua – pasmem – capacidade de mutação.
Dessas mudanças que digo, nenhuma veio por encomenda, mas de sua inevitabilidade. Nenhum tutorial resultante de alguns minutos de pesquisa na internet sobre como fazer arroz ou macarrão, me fez tirar das panelas algum material que pudesse ser apreciado pelo paladar de qualquer pessoa, a menos que esta esteja à beira dos limites que a fome impõem ao ser humano. Contudo, nada além da aventura de inflar o peito de coragem e bradar aos quatro ventos o grito de independência, que é o “eu vou morar sozinho”, fez esse cenário mudar. E não digo aqui o eventual adeus à mesa posta da mamãe, mas ao quilo de carne misteriosamente minguado no congelador da república de estudantes. Tudo isso veio a me transformar em alguém completamente diferente de quem fui quando essa curta jornada começou.
Velhos hábitos perderam lugar, por sua gritante inconveniência. O costume de escrever apenas com papel e caneta já não tem lugar na comodidade que o computador me oferece, de reformular todo um parágrafo, sem ter de fazer uma terrível bagunça. Até este novo estilo de dizer as coisas já não cabem mais aqui, entre textos que foram criados, em sua maioria, para trazer algum evento marcante aos olhos de meus potenciais leitores através de versões distorcidas de suas realidades, e além de tudo, criar títulos para cada uma das minhas pequenas criações estava se tornando um trabalho exaustivo. Os objetivos que se resumiam apenas em agradar um grupo seleto de pessoas mais próximas, e em ganhar algum reconhecimento, se perderam por aí, em tantas falhas tentativas de fazer este pequenino decolar. Os novos, pra ser sincero, ainda não os encontrei.
Com tantas mudanças, muito ficou pelo caminho. Mais até do que eu suportaria cogitar por algum tempo. Muito mais do que ousaria publicar. E desse novo hábito de produzir e não publicar, veio lenta e vagarosamente, o fim. Caíram as paredes do meu infinito.


Muito obrigado pela última visita.



Nenhum comentário:

Postar um comentário