A capacidade
de mutação é algo próprio do ser humano, mas não há nada de extraordinário nisso.
O que pode impressionar é a eventual inabilidade de perceber tais mudanças. E
comigo não houve de ser diferente. Não me atentar a cada pensamento ou atitude diferentes,
fez com que me deparasse com uma pessoa totalmente diferente daquele cara que
encarei na semana, no mês, ano ou anos passados cada vez que me olhei no
espelho. O melhor de toda essa história é perceber e não se espantar com o
olhar do professor que já não reconhece o aluno, que outrora lhe fora tão
inconveniente, enquanto este o diz um “você mudou, cara” carregado de um
sentimento tão forte de admiração por sua – pasmem – capacidade de mutação.
Dessas
mudanças que digo, nenhuma veio por encomenda, mas de sua inevitabilidade.
Nenhum tutorial resultante de alguns minutos de pesquisa na internet sobre como
fazer arroz ou macarrão, me fez tirar das panelas algum material que pudesse
ser apreciado pelo paladar de qualquer pessoa, a menos que esta esteja à beira
dos limites que a fome impõem ao ser humano. Contudo, nada além da aventura de
inflar o peito de coragem e bradar aos quatro ventos o grito de independência,
que é o “eu vou morar sozinho”, fez esse cenário mudar. E não digo aqui o
eventual adeus à mesa posta da mamãe, mas ao quilo de carne misteriosamente
minguado no congelador da república de estudantes. Tudo isso veio a me
transformar em alguém completamente diferente de quem fui quando essa curta
jornada começou.
Velhos
hábitos perderam lugar, por sua gritante inconveniência. O costume de escrever
apenas com papel e caneta já não tem lugar na comodidade que o computador me
oferece, de reformular todo um parágrafo, sem ter de fazer uma terrível bagunça.
Até este novo estilo de dizer as coisas já não cabem mais aqui, entre textos que
foram criados, em sua maioria, para trazer algum evento marcante aos olhos de
meus potenciais leitores através de versões distorcidas de suas realidades, e
além de tudo, criar títulos para cada uma das minhas pequenas criações estava
se tornando um trabalho exaustivo. Os objetivos que se resumiam apenas em
agradar um grupo seleto de pessoas mais próximas, e em ganhar algum
reconhecimento, se perderam por aí, em tantas falhas tentativas de fazer este
pequenino decolar. Os novos, pra ser sincero, ainda não os encontrei.
Com tantas
mudanças, muito ficou pelo caminho. Mais até do que eu suportaria cogitar por
algum tempo. Muito mais do que ousaria publicar. E desse novo hábito de
produzir e não publicar, veio lenta e vagarosamente, o fim. Caíram as paredes
do meu infinito.
Muito
obrigado pela última visita.






